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Vinhos do Tejo ... cronologia de uma história de amor em desenvolvimento com o Quebec

  • bernardinopaula
  • May 18
  • 5 min read

Na edição de 2023 do concurso canadiano Sélections Mondiales des Vins, Portugal obteve 12 vinhos premiados no Top 50 do concurso, dos quais 4 para a região do Tejo, mais precisamente a Adega Cooperativa do Cartaxo, que se destacou com 3 medalhas de Grande Ouro e uma de Ouro com a sua gama Bridão. Os consumidores do Quebeque puderam provar estes vinhos premiados durante o evento La Grande Dégustation de Montréal, em outubro de 2023. Eu próprio descobri os vinhos desta adega do Tejo ao conhecer o seu diretor executivo, o Sr. Fausto Silva, e o Sr. Luís de Castro, presidente da Comissão Vitivinícola Regional do Tejo.

Será que era o início de uma história de amor com os vinhos desta região vinícola de Portugal ou apenas um namoro da estação outonal de 2023?

Como em toda boa história em que parece existir uma atração, era preciso explorar... e a equipa dos vinhos do Tejo regressou a Montreal em março de 2024, desta vez para apresentar uma seleção mais ampla de vinhos e castas desta região, no âmbito de uma masterclass e de um salão de prova. Este evento ofereceu aos profissionais do setor no Quebec a oportunidade conhecer mais profundamente esta região e as suas castas. Fiquei também a saber da existência da Tejo Wine Route 118, a rota dos vinhos do Tejo com cerca de 150 km, criada em 2021, onde se encontram 14 produtores abertos a visitas e provas. Os interessados podem também participar nas vindimas e colher azeitonas nas propriedades dos produtores de azeite. A região convida ainda à descoberta, com propriedades notáveis para visitar, tais como a Quinta da Alorna, a Quinta da Lagoalva e a Quinta do Casal Branco.

Nesta feira, em março de 2024, tive a oportunidade de trabalhar na mesa da Parras Wines, onde pude aprender mais sobre os vinhos do Tejo, nomeadamente a casta rainha dos vinhos brancos, a Fernão Pires, muito utilizada nesta região. É também uma região que gosta de reconhecer e homenagear as suas tradições e produtos tradicionais. Por exemplo, o grupo Parras Wines distribui a gama que presta homenagem ao cavalo lusitano, uma raça de cavalo portuguesa. Reconhecido pela sua elegância, agilidade e inteligência, o cavalo lusitano é reconhecido em todo o mundo como uma das raças mais nobres para a arte equestre. É essa elegância, essa nobreza e essa autenticidade que a vinícola Parras Wines procura transmitir com esta gama de vinhos, dois dos quais foram galardoados com medalhas de OURO no concurso Sélections Mondiales des Vins 2024.

E eis a história de amor que continuava a desenrolar-se no outono de 2024, quando a equipa dos vinhos do Tejo regressava para uma masterclass na cidade de Quebec. O objetivo desta masterclass era despertar a nossa curiosidade, demonstrando a interessante diversidade dos vinhos do Tejo e concluindo que se trata de vinhos de classe mundial, provenientes de terroirs até agora pouco conhecidos.

A região vinícola do Tejo era anteriormente conhecida como Ribatejo, tendo a mudança de nome ocorrido em 2008. Trata-se de uma reformulação da marca para permitir uma melhor identificação da região e das suas características. Esta região vinícola caracteriza-se pelo rio Tejo, pelos seus dias quentes, noites frescas e vinhos frescos. Sendo a Fernão Pires a casta branca mais plantada em Portugal, é uma casta com a qual os produtores desta região gostam muito de trabalhar devido à sua versatilidade para diferentes tipos de vinhos brancos: espumantes, monovarietais, blends... Quanto aos vinhos tintos, é a Castelão a casta típica da região do Tejo.

Um território rico e luminoso

Atravessada pelo majestoso rio Tejo, a região do Tejo beneficia de um clima particularmente favorável, com 2 800 horas de sol por ano. O seu extraordinário mosaico de solos — arenosos, argilosos, calcários ou xistosos — oferece uma possibilidade infinita de expressões, que os viticultores traduzem em vinhos que combinam frescura, profundidade e equilíbrio.

Serras: um novo terroir adicionado à carta

Grande novidade anunciada no outono de 2025 durante uma masterclass em Montreal (e anunciada em Lisboa em janeiro de 2026): a oficialização de um 4.º terroir do Tejo, batizado de Serras, que está agora bem identificado nos mapas da região. Situado na parte mais setentrional da região, Serras distingue-se pelos seus solos xistosos e margosos de textura argilosa, bem como por um regime de precipitação mais intenso, devido à proximidade das montanhas do Maciço Central português. Este terroir, onde predominam os vinhos tintos (65 %), confere uma dimensão mais estruturada e mineral à identidade do Tejo, confirmando a riqueza geográfica e estilística da região.

Serras junta-se, assim, aos outros três terroirs distintos da região vinícola do Tejo:

- Bairro: entre o vale do Tejo e as montanhas de Candeeiros, Serra de Aires e Montejunto, com solos argilo-calcários, é um terroir ideal para as castas tintas.

- Campo: situado nas vastas planícies adjacentes ao rio Tejo, que são frequentemente inundadas. Estas inundações são responsáveis pela grande fertilidade dos solos e tornam esta zona de excelência para a produção de vinhos brancos, nomeadamente para a casta Fernão Pires. As manhãs são enevoadas e húmidas. As tardes são muito quentes e as noites frias.

- Charneca: situada a sul de Campo, na margem esquerda do Tejo, os seus solos arenosos e moderadamente férteis permitem a produção de vinhos tintos e brancos. As temperaturas mais elevadas e o clima geralmente mais quente e seco aceleram a maturação das uvas. Aqui a vindima começa geralmente no início de agosto.

Os vinhos do Tejo voltaram a destacar-se no concurso Sélections Mondiales des Vins 2024, Portugal obteve 14 vinhos premiados no Top 50 do concurso, dos quais 3 da região do Tejo: Grande Ouro para o Detalhe Reserva tinto da Adega do Cartaxo, Ouro para o Abafado 5 anos da Quinta da Alorna e Ouro para o Fernão Pires Grande Reserva da Quinta do Casal Monteiro. No total, foram 18 vinhos do Tejo premiados neste concurso em 2024, cuja notícia é motivo de orgulho para todos os envolvidos e que se encontra em destaque no site: Vinhos do Tejo no TOP 50 do concurso Sélections Mondiales des Vins do Canadá 2024. E os vinhos do Tejo continuaram a destacar-se no concurso Sélections Mondiales des Vins 2025, onde os vinhos da região conquistaram mais de 30 medalhas de ouro e 3 medalhas de ouro de grande prestígio.


Qual será o próximo passo nesta história de amor entre os vinhos do Tejo e o mercado quebequense? Um compromisso sério por parte de um ou mais agentes ou agências, de modo a tornar estes vinhos facilmente acessíveis aos consumidores quebequenses. Quem será o primeiro a comprometer-se seriamente? Os vinhos do Tejo têm prosseguido ativamente os seus esforços de promoção e desenvolvimento de negócios no Quebec, destacando-se em abril 2026 por uma presença importante no salão Raspipav de importações privadas, de 25 a 27 de abril, com nada menos que 10 produtores presentes no evento:


No plano comercial, a Quinta do Casal Monteiro conta com um forte apoio da agência Amphora, com os seus vinhos agora presentes na La Cage aux Sports e em vários restaurantes de Montreal. Por seu lado, a Quinta da Lagoalva é representada pela agência Rocha & Rocha.


Saudação à orgulhosa comunidade ribatejana de Montreal, sempre ligada às suas raízes e embaixadora apaixonada dos seus terroirs de origem.

(Este artigo foi originalmente publicado no jornal A Voz de Portugal em Montréal (Canada) a 7 de Maio de 2026)


 
 
 

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